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Turnover em alta: por que empresas estão aumentando custos para reter colaboradores
A retenção de colaboradores se tornou uma das pautas mais urgentes do ambiente empresarial brasileiro
Em diversos segmentos, a dificuldade de manter equipes estáveis deixou de ser apenas um desafio interno e passou a impactar diretamente a qualidade do serviço, a experiência do cliente e a sustentabilidade do próprio negócio.
O aumento do turnover — a rotatividade constante de profissionais na mesma função — gera um efeito em cadeia dentro das empresas. Cada desligamento representa perda de conhecimento, tempo de adaptação de novos colaboradores, queda de produtividade e maior risco de falhas operacionais. Em um cenário de concorrência acirrada e consumidores mais exigentes, essa instabilidade se transforma em um problema estratégico e financeiro.
Esse foi um dos temas discutidos na palestra de Fabrício Coutinho e Luiz Coutinho, do Grupo Coutinho, responsável por redes como Extrabom, Extraplus e Atacado Vem, realizada em evento do Instituto Líderes do Amanhã, ao abordarem gestão, liderança e sucessão empresarial sob a perspectiva da prática. Entre os pontos apresentados, destacou-se uma mudança de mentalidade que vem ganhando espaço: olhar para o colaborador como parte central da proposta de valor da empresa.
Diante do alto índice de rotatividade, algumas organizações têm adotado medidas que, à primeira vista, parecem contraditórias. Em vez de reduzir custos trabalhistas, optam por ampliá-los. Reajustes salariais, expansão de benefícios e revisão das jornadas de trabalho passam a ser tratados como investimento, não apenas como despesa, reforçando que maior custo pode se traduzir em maior valor ao longo do tempo.
Nesse contexto, foram mencionadas decisões como a implementação gradual da escala 5×2 em algumas lojas — modelo que ainda não é obrigatório, mas que já vem sendo adotado de forma antecipada em determinadas unidades como estratégia de reorganização de jornadas e redução de desgaste. Além disso, partiu da própria gestão a iniciativa de abrir diálogo com o sindicato para discutir a possibilidade de não trabalho aos domingos. As propostas foram apresentadas como estratégia de retenção e fortalecimento do vínculo com as equipes, e não como imposição externa ou exigência legal.
Retenção de Colaboradores e Qualidade no Atendimento
A relação entre retenção de colaboradores e qualidade no atendimento também se torna mais evidente. Equipes estáveis tendem a conhecer melhor os processos, desenvolver maior vínculo com a cultura da empresa e oferecer um serviço mais consistente ao cliente. A experiência do consumidor, nesse cenário, deixa de ser apenas um resultado de processos e passa a depender diretamente da permanência das pessoas.
Sob a ótica da economia de mercado, decisões como essas mostram que eficiência não se resume à redução imediata de despesas. Muitas vezes, envolve direcionar recursos para os pontos que sustentam a operação no longo prazo. Investir em pessoas pode elevar o custo no presente, mas também pode reduzir perdas futuras, fortalecer a reputação da empresa e ampliar sua competitividade, como demonstram pesquisas da Gallup em seu relatório State of the Global Workplace, que identificam correlação entre maior engajamento, menor rotatividade e melhor desempenho financeiro.
Esse tipo de escolha também dialoga com o respeito à propriedade privada e à liberdade de gestão. Cabe ao empreendedor decidir como organizar sua estrutura de custos e qual estratégia adotar para manter o negócio saudável. Ao optar por investir na equipe, a empresa assume o risco e a responsabilidade por essa decisão, confiando que o retorno virá por meio de uma operação mais sólida e de um serviço melhor prestado.
O Impacto dos Custos Trabalhistas na Retenção de Talentos
O debate sobre custos trabalhistas costuma ser tratado de forma simplificada, como se qualquer aumento representasse automaticamente perda de eficiência. No entanto, a realidade empresarial indica que, em determinados contextos, reduzir a rotatividade e fortalecer equipes não é apenas medida intuitiva, mas decisão economicamente fundamentada. De acordo com a Society for Human Resource Management (SHRM), o custo de substituição de um colaborador pode alcançar até 200% do salário anual. Além disso, pesquisas da Gallup indicam que equipes com maior engajamento apresentam menor turnover e melhor desempenho financeiro. Nesse contexto, investir na retenção passa a ser estratégia de proteção de valor e não mera escolha administrativa.
Quando o foco se desloca da redução de custos para a construção de valor, a empresa sinaliza que compreendeu onde está seu principal diferencial competitivo: nas pessoas que sustentam o negócio todos os dias.